Bastidores do Campeonato do Mundo, na perspetiva do Host Broadcaster

Neste vídeo, vemos os bastidores do Campeonato do Mundo de Futebol 2026, na perspetiva do Host Broadcaster, com a orientação de Oscar Sanchez, Head of Host Broadcast Production na FIFA, num vídeo que mostra como a competição é produzida a partir de Dallas, das cidades anfitriãs e de Londres.
Neste vídeo podemos ver ainda o Diretor de Logística e Engenharia, Bart Lucassen, a explicar como se estão a transformar as operações de broadcast em direto através de tecnologia definida por software. Um evento desta dimensão exige maior capacidade de processamento e flexibilidade. Para responder a este desafio, muitos dos fluxos de trabalho tradicionalmente suportados por hardware foram transferidos para soluções baseadas em software, geridas a partir do International Broadcast Centre (IBC) em Dallas, permitindo entregar mais conteúdos a nível global.

#HBS#FIFAWorldCup2026#Innovation#Broadcast#BroadcastTechnology

No Mundial, Portugal Não Está Só no Campo — Está em Cada Imagem que Chega ao Mundo.

No Mundial, Portugal Não Está Só no Campo — Está em Cada Imagem que Chega ao Mundo.
Enquanto o Mundo Vê Futebol, Há Portugueses a Tornar Tudo Possível

Assim, a Mediapro foi provedora dos meios em Guadalajara para a HBS, contribuindo para a operação de broadcast deste Mundial.
Mas mais do que meios técnicos, há um lado humano que merece destaque.

Para além da equipa no México, em Atlanta — sob realização de Juan Figueroa — estiveram envolvidos operadores de câmara portugueses em vários jogos: Espanha vs Cabo Verde, Chéquia vs África do Sul, Espanha vs Arábia Saudita, Haiti vs Marrocos, RD Congo vs Uzbequistão e hoje no, Inglaterra vs RD Congo.

Em Atlanta estão 25 operacionais e em Dallas no IBC está a equipa de replays (EVS) com 10 operadores portugueses que também fizeram todos os jogos de equipa de produção espanhola de Houston (a outra equipa de produção Mediapro no Mundial).

De notar que no IBC estão também mais técnicos e operadores de CCU nacionais.

Informações dadas pelo Gustavo Fonseca e a foto é do Rui Amorim.

Bom Trabalho para todos!!

Update do Nuno Duarte para a área do Som:
“além do Mario Viana Jorge e da sua equipa com o Figueroa , temos o @RicardoFigueira no IBC como um dos responsáveis de todos os sistemas de áudio da HBS. Temos o Rui pinto como VTM – venue tec manager tb no México . Não tenho conhecimento de mais Portugueses , mas como somos top e estamos em todo o lado acredito q haja mais alguns”.

Novo Plano de câmaras para a fase a eliminar do Campeonato do Mundo.

Novo Plano de câmaras para a fase a eliminar do Campeonato do Mundo.

Passa de 45 para 50 câmaras, com as câmaras adicionais em roxo.

New camera plan for the knockout stage of the World Cup.

It increases from 45 to 50 cameras, with the additional cameras shown in purple.

O futebol também se ouve – O plano de microfones

O futebol também se ouve – O plano de microfones por trás de uma grande transmissão desportiva.

O plano de microfones para o Campeonato do Mundo de Futebol 2026,, oferece uma captação abrangente da atmosfera do estádio e da ação dentro de campo.

Por razões de consistência, as misturas de áudio são produzidas em suites de áudio centralizadas, concebidas especificamente para esse efeito, no IBC (International Broadcast Center) em Dallas.

As suites de áudio do IBC recebem todas as fontes de áudio de cada estádio através da Broadcast Contribution Network e, a partir daí, geram:

– Áudio imersivo
– Som Internacional Multicanal (MCIS)
– Som Internacional para Televisão (TVIS)
– Som Internacional para Rádio (RIS)
– Fontes adicionais de áudio (microfones ambiente tridimensional, ambientes relacionados com os adeptos, traduções de conferências de imprensa)

Misturas automatizadas

Como backup são ainda feitas misturas TVIS, RIS, MCIS e Comentário em Inglês pelas equipas de produção em cada recinto de jogo.

RECORDE MUNDIAL NO YOUTUBE

O Jogo Brasil vs. Escócia estabeleceu um novo referencial global para o streaming de desporto em direto.

Este jogo atingiu um pico de 18,6 milhões de espectadores em simultâneo, tornando-se a live mais vista da história do YouTube.

Este recorde é um sinal claro de que o consumo de desporto em direto entrou numa nova fase, onde plataformas digitais deixam de ser canal alternativo e passam a ser destino principal para conteúdos premium.

Do ponto de vista técnico e operacional, este marco confirma três mudanças estruturais: escalabilidade de distribuição, maturidade do streaming em larga escala e uma audiência cada vez mais habituada a consumir eventos ao vivo fora do modelo televisivo tradicional. Já não se trata apenas de “levar o sinal para a internet”; trata-se de garantir experiência estável, baixa latência, sincronização, capacidade de absorção de picos e resiliência para audiências massivas distribuídas por múltiplos dispositivos.

Este tipo de audiência também reforça o peso crescente dos modelos liderados por criadores e plataformas digitais na transmissão desportiva. O valor deixou de estar apenas na emissão linear e passou a estar na comunidade, na interação e na capacidade de construir envolvimento em tempo real. Para as equipas técnicas e de produção, isto significa novos desafios em encoding, CDN, monitorização, redundância e orquestração de sinais para ambientes muito mais dinâmicos.

Ao mesmo tempo, a indústria vive uma tensão crescente entre broadcasters tradicionais e operadores digitais, sobretudo na disputa pelos direitos premium. A fronteira entre televisão e streaming está cada vez mais difusa, e a competição já não é só por audiência — é por ecossistema, dados, escala e influência global.

A mensagem é clara: o futuro da transmissão desportiva é digital, interativo e orientado para comunidades. E, tecnicamente, isso exige pensar menos em canais e mais em plataformas, menos em emissão e mais em experiência.

Amanhã vou falar sobre o delay neste tipo de transmissões

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LiveModeTV Portugal – 34 jogos grátis no YouTube — o novo jogo dos media



Nos últimos dias, há um detalhe no Mundial que está a passar despercebido a muita gente: existem jogos a ser transmitidos gratuitamente no YouTube.

O canal chama-se LiveModeTV Portugal — e por trás deste modelo está uma mudança estrutural na forma como os direitos desportivos são distribuídos, consumidos e monetizados.

A origem desta abordagem remonta a 2022. Durante o Mundial do Qatar, a produtora brasileira LiveMode lançou a CazéTV, um projeto nativo digital que rompeu com o paradigma tradicional da transmissão televisiva.

Em vez de replicar o modelo broadcast clássico, a CazéTV construiu uma experiência orientada para plataformas digitais:
– Distribuição via YouTube (OTT, over-the-top), sem necessidade de operador tradicional
– Comentadores e hosts com origem no ecossistema digital
– Integração de chat em tempo real (engagement síncrono)
– Conteúdo híbrido: informação, entretenimento e comunidade

O resultado foi significativo: picos de cerca de 6 milhões de dispositivos simultâneos, um número medido diretamente pela plataforma — não estimado.
Este ponto é crítico.
No modelo tradicional, as audiências são calculadas com base em painéis amostrais e projeções estatísticas. Já no ambiente digital, a medição é determinística:
– Dispositivos ligados em simultâneo (concurrent viewers)
– Tempo médio de visualização
– Retenção por minuto
– Interações (chat, likes, partilhas)

Além disso, o conteúdo deixa de ser efémero. Após o direto, entra numa lógica de VOD (video on demand), continuando a gerar:
– Visualizações acumuladas
– Inventário publicitário adicional
– Dados comportamentais para otimização futura

Um exemplo prático: o jogo Espanha × Cabo Verde já ultrapassou 1,4 milhões de visualizações após o direto — e continua a crescer. Para anunciantes, isto significa que o ativo não termina no apito final; pelo contrário, prolonga o ciclo de monetização.

Quatro anos depois, este modelo consolidou-se no Brasil, com a LiveMode a garantir a transmissão gratuita dos 104 jogos do Mundial 2026.

Agora, o mesmo conceito chega a Portugal.
A LiveModeTV Portugal adquiriu os direitos de 34 jogos, incluindo todos os jogos da seleção nacional, meias-finais e final — distribuídos gratuitamente via YouTube.
Do ponto de vista técnico e de negócio, este modelo assenta em três pilares:
– Redução de barreiras de acesso (free-to-view digital)
– Escalabilidade de distribuição via infraestrutura global (CDN do YouTube)
– Monetização baseada em dados reais e inventário prolongado

Ou seja, “gratuito” não significa ausência de receita — significa otimização de alcance, dados e lifetime value do conteúdo.

Há ainda um detalhe estratégico relevante: Cristiano Ronaldo é acionista e parceiro da LiveMode. Está simultaneamente dentro e fora do campo — como protagonista do espetáculo e como investidor na sua distribuição.


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MCR no Mundial 2026: o coração invisível da transmissão em direto

No Mundial de 2026, o foco vai estar nos golos, nas celebrações e nos grandes momentos dentro de campo.

Mas, para as equipas de MCR (Master Control Room), o verdadeiro desafio acontece fora da vista do público: mapas de feeds, redundâncias, alarmes, verificações de timing e gestão de incidentes em tempo real.

Num evento desta dimensão, o sucesso não é apenas colocar o sinal no ar. É garantir que cada feed chega de forma contínua, estável e sem que o espetador perceba qualquer ação de recuperação nos bastidores.

No MCR, tudo conta: validação de sinais, proteção de caminhos primários e backup, distribuição para múltiplas plataformas, monitorização constante e coordenação entre equipas técnicas sob pressão máxima.

Em grandes eventos desportivos, a excelência operacional é tão importante como a qualidade da produção. Porque, muitas vezes, o melhor sinal é precisamente aquele em que ninguém percebeu o trabalho que foi necessário para o manter impecável.

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Crédito @sumitkrsrivastava

RefCam no Mundial 2026: A tecnologia que mostra o futebol pelos olhos do árbitro

O Mundial de 2026 marca um ponto de viragem na produção televisiva do futebol ao introduzir, de forma generalizada, a RefCam (Referee View) em todos os jogos da competição. Esta inovação não representa apenas uma nova perspetiva para o espectador, mas sim um avanço significativo na integração entre captação de imagem, processamento em tempo real e suporte à decisão no ecossistema do broadcast desportivo.

Do ponto de vista técnico, a RefCam é um exemplo claro de miniaturização e eficiência. A microcâmara está integrada diretamente no auricular do árbitro, posicionada junto à têmpora, garantindo um enquadramento natural em primeira pessoa. Com um peso aproximado de 14 gramas, o dispositivo foi concebido para ser praticamente impercetível durante a movimentação intensa em campo, respeitando requisitos críticos de ergonomia, segurança e não intrusão.

A transmissão do sinal é totalmente wireless, operando em tempo real com latência mínima, um requisito fundamental para integração em direto nos fluxos de broadcast. Este tipo de solução implica uma gestão rigorosa de frequências, redundância de sinal e compatibilidade com as infraestruturas RF já existentes nos estádios, onde coexistem dezenas de câmaras, microfones e sistemas de comunicação.

Um dos maiores desafios técnicos da RefCam prende-se com a estabilidade da imagem. Ao contrário das câmaras tradicionais, montadas em tripés ou sistemas estabilizados, o árbitro está em constante movimento, com acelerações, mudanças de direção e impactos visuais frequentes. Para mitigar este problema, a FIFA, em parceria com a Lenovo, implementou algoritmos avançados de Inteligência Artificial capazes de reduzir a trepidação em cerca de 50%. Este processamento é realizado em tempo real, recorrendo a pipelines de computação distribuída que permitem estabilizar, corrigir distorções e otimizar a legibilidade da imagem antes de esta chegar aos centros de produção.

A integração no workflow de broadcast é outro ponto-chave. O sinal da RefCam pode ser utilizado tanto em direto como em replay, sendo particularmente valioso na análise de lances polémicos, golos ou interações entre jogadores e equipa de arbitragem. Para os realizadores, esta nova fonte acrescenta uma camada narrativa inédita, permitindo alternar entre planos tradicionais e a perspetiva subjetiva do árbitro.

Para além do entretenimento, a RefCam desempenha um papel relevante no suporte à decisão. O feed está disponível para as equipas de VAR, oferecendo um ângulo adicional que pode complementar outras câmaras na análise de jogadas críticas. Paralelamente, o sistema é utilizado em contextos de formação e avaliação, permitindo sessões de debriefing mais detalhadas e objetivas, com base naquilo que o árbitro efetivamente viu em campo.

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Plano de câmaras – World Cup 2026

45 câmaras por jogo, em todos os 104 jogos do Mundial 2026.

Mas o que é, na prática, um “plano de câmaras”?

No contexto do broadcasting, o plano de câmaras (camera plan) é essencialmente um documento de engenharia e realização. Define, com precisão:

•   A localização de cada câmara no estádio

•   O tipo de equipamento utilizado

•   A função editorial de cada sinal dentro da narrativa do jogo

Ou seja, não estamos apenas a falar de captação de imagem — estamos a falar de um sistema desenhado para construir a forma como o espectador vive o jogo.

Este plano é desenvolvido pela Host Broadcast Services (HBS), responsável pela produção do sinal internacional (host feed), que depois é distribuído globalmente para operadores e plataformas.

Não são 45 câmaras iguais. São um ecossistema técnico especializado, onde cada unidade tem uma função específica:

•   Câmaras de linha lateral e rail cams: posicionadas ao nível do relvado, criam proximidade e dinamismo em momentos como cantos ou jogadas rápidas

•   Cablecam (spidercam): sistema suspenso por cabos com estabilização giroscópica, permite movimentos aéreos contínuos sobre o campo

•   Câmaras cinematográficas (cine cams): equipadas com óticas de cinema e baixa profundidade de campo, utilizadas para planos emocionais, túneis e momentos pré-jogo

•   Câmaras 360º: utilizadas para replays imersivos e reconstrução de lances

•   RefCam: integrada no equipamento do árbitro, transmite a sua perspetiva em tempo real, recorrendo a redes privadas 5G e processamento com IA para estabilização

•   Sistemas ultra motion e super slow motion: capturam detalhe extremo, especialmente em fases decisivas da competição

Mas o ponto mais relevante já não é o número de câmaras.

É a mudança de paradigma.

Hoje, o plano de câmaras deixou de ser pensado exclusivamente para a transmissão televisiva. Passou a ser desenhado como um sistema de geração de conteúdo multiplataforma.

A própria HBS já reconheceu que o planeamento atual inclui câmaras e formatos que não existem apenas para o broadcast tradicional, mas para alimentar diferentes outputs digitais.

Na prática, isto significa que o mesmo jogo é produzido, desde a origem, para múltiplos formatos:

•   Transmissão linear (broadcast)

•   Clips para redes sociais

•   Conteúdos verticais (9:16)

•   Replays otimizados para plataformas digitais

•   Momentos isolados para distribuição quase em tempo real

O jogo é um só — mas o output é fragmentado, adaptado e distribuído em função do canal e do comportamento do utilizador.

Num contexto em que um lance pode viver simultaneamente em televisão, YouTube, TikTok, Instagram ou num site de notícias, faz todo o sentido que a infraestrutura de produção já esteja pensada para essa realidade.

Estamos, na prática, a assistir à convergência entre produção broadcast e produção de conteúdo digital.

FIFA World Cup 2026 – END TO END BROADCAST WORKFLOW

FIFA World Cup 2026 – END TO END BROADCAST WORKFLOW

Uma infraestrutura feita para não falhar.

Por trás do jogo, há uma máquina brutal a trabalhar.

#FIFAWorldCup2026#Broadcast#liveproduction#sportsbroadcasting